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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A propaganda e o terceiro setor


Foto: Mundo nas Mãos - autor Valdir Cimino
O desenvolvimento do Terceiro Setor, e em especial no Brasil, só pode ser entendido através da análise dos últimos 50 anos. Nesses tempos assistimos a mudanças sem precedentes em vários aspectos da sociedade.  Em resumo, podemos citar a urbanização desenfreada e que pode ser considerado um dos pontos do desequilíbrio. A população rural migrou para as cidades transformando-as em um caos, ficando impossível atender a demandas como a Educação e a Saúde. As estruturas das cidades não estavam preparadas, o que acarretou falta de saneamento básico e de empregos, apenas para citar alguns exemplos.  Claro, a incapacidade do Estado em gerenciar este crescimento, principalmente na administração dos recursos, foi percebida por todos, e sentimos até hoje apenas andando pelas ruas das grandes cidades. O Estado resumiu-se a exercer apenas suas funções básicas, como criar e aplicar as leis e manter a segurança nacional, mesmo que ainda nesses quesitos tenha uma performance duvidosa.

Não temos dúvidas dos problemas que a sociedade brasileira enfrenta, mas ainda é pouco. Precisamos somar a tudo isto, influências externas vindas da globalização. Neste sentido, o modelo de transferência de mão-de-obra de um setor a outro ficou obsoleto, pois, a revolução tecnológica através do computador, penetrou em todas as camadas da sociedade. Então, quem não era excluído foi empurrado para fora do centro globalizado e tecnológico, transformando-se na camada que vive à margem e, portanto, não tem recursos para garantir a satisfação de suas demandas. Vivemos em um abismo criado pela implosão dos relacionamentos entre o 1º Setor e o indivíduo, e onde este indivíduo vive à mercê do medo que o 2º Setor gera pela competição e necessidade de resultados rápidos.  Está explicado, portanto, porque as atividades sociais cresceram tão rapidamente, a ponto de criar massa crítica e dar espaço para o surgimento de um terceiro setor.

Aí nos perguntamos: e a comunicação das marcas, a propaganda, como se envolve nesta realidade? Partindo do pressuposto que a propaganda reflete essa dissintonia, podemos então dizer que ela influencia de forma negativa o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade? Para responder essas perguntas, devemos entender como o 2º Setor, isto é, os donos das marcas devem construir sua comunicação.

Toda empresa possui um vasto cardápio de relacionamentos. Esta rede vai desde o próprio 1º Setor, passando pelos bancos, fornecedores, macroambiente entre outros, até seu público interno (funcionários), comunidade e finalmente seu consumidor. O importante é entender que exercer sua responsabilidade social no cumprimento das leis trabalhistas e suas variantes não é o suficiente, é importante perceber que o fator humano influencia a qualidade do produto final; portanto, cuidar de seu público interno é fundamental. Outro ponto, e que nos atinge em nossos questionamentos, é o relacionamento da empresa com a comunidade e com os seus consumidores. Colocar um produto que atenda a todas as exigências de qualidade e tudo o que envolve esta venda também não é o suficiente, o importante é perceber que a comunicação do produto e que impacta a audiência, influencia a condução de valores e cria padrões de consumo, e é aí que a influência se torna positiva ou negativa.

A sociedade do futuro exige uma transformação dos relacionamentos, pois requer um equilíbrio entre a demanda e a oferta dos serviços sociais. Isto significa a integração dos 3 setores - 1º Setor, o Governo; 2º Setor, o Privado e 3º Setor o Social. Desta forma, encontramos na Ética a chave para harmonizar esses relacionamentos.

Do que nos cabe, à parte da comunicação, o que precisamos fazer é rever radicalmente todos os nossos conteúdos e influenciar a criação de uma nova ordem mundial, onde o indivíduo tenha dignidade e, assim, possa viver em grupo. A consciência é mudar nossa forma de olhar e saber que participamos da evolução de todos os relacionamentos, pois estamos vivendo num processo de co-criação do futuro.

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